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Entre analógico, análogos e analogias
Comprei um toca-discos. E isso é um evento na minha vida. Não foi algo estranho. Meu primeiro vinil é de 2019, comprado no Roadburn, em Tilburg, durante minha primeira viagem internacional. Fui influenciada por um amigo de longa data que viveu o auge do disco como mídia principal. Eu sou…
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But if you hurt what’s mine
I’ll sure as hell retaliate… Cansaço não é resposta. Ele chega mascarado, colado a entulhos emocionais. Um sintoma. Se manifesta dolorido, nos cantos escuros, uma presença indesejada que, mesmo assim, se sente em casa. Se espalha lento, denso, contínuo. A cidade me come viva. Estranhos. Le petit mort, o enrijecer…
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(She’s a) Universal emptiness
Minhas pequenas crônicas biográficas sempre começam com um empurrão vindo de alguma música. A essa altura, você, leitor anônimo e inexistente, já deve ter sacado isso. Além do título autoexplicativo, queria começar esse relato com uma pergunta do Kendrick Lamar: When shit hit the fan, is you still a fan?…
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in den Abgrund blicken
Ela chega como uma onda fria. Uma ausência de vontade de ter vontade. Vai se espalhando pelas cobertas, escorrendo pelo chão, entrando na comida, grudando nas paredes. De repente está no meu cabelo, na minha roupa, na escova de dentes, no copo de água que eu bebo sem pensar. Não…
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Eu ando tão down
Evocando Cazuza antes mesmo do café. Antes de tudo, um aviso digno de rodapé de bula: depois de anos em terapia e algum grau de autoconhecimento, cheguei à conclusão de que sou especialista em sabotar a mim mesma. Corro atrás de picos de euforia como quem coleciona ressacas. Vivo de…
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180 dias e 8 horas
Pelo bem ou pelo mal, já se passaram seis meses. Ainda estou aqui. Parabéns às minhas memórias, por persistirem quando eu mesma queria esquecer. Oi. Espero de verdade que você que está lendo isso esteja bem. Aqui, as coisas seguem — a que custo, eu ainda me pergunto. Faz tempo…
