I’ll sure as hell retaliate…
Cansaço não é resposta. Ele chega mascarado, colado a entulhos emocionais. Um sintoma. Se manifesta dolorido, nos cantos escuros, uma presença indesejada que, mesmo assim, se sente em casa. Se espalha lento, denso, contínuo. A cidade me come viva.
Estranhos. Le petit mort, o enrijecer lento, tinha que ser dopamínico, não noradrenérgico. Quisera, in momentum, ser morte inteira. Náusea. Mais um erro pra coleção. O ruído do córtex, como automóveis engarrafados, madrugada adentro, já não sustenta nem o próprio disfarce. Há algo exposto demais no eco das horas livres.
Os dias anteriores vieram pesados, como se o corpo tivesse decidido provar dos piores gostos do mundo. E o tempo, que tenta se vestir de cura, me mastiga devagar, como carne seca demais, sem conseguir engolir. Horas? Talvez minutos, talvez nem isso. Há uma obediência silenciosa nesse movimento, uma aceitação automática. Ninguém pergunta se quer continuar. Tem que acontecer.
Entre a conformidade e a revolta, existe um intervalo que pulsa. Uma massa disforme de cheiro inebriante tem nome, cabelos, olhos, dentes afiados. É porque você quer tanto se punir, uma pessoa ruim como você – como eu. É privilégio ou castigo o que se tem, e se querer mais é erro ou sobrevivência. Silêncio.
E quando o ciclo se fecha, a carne se volta contra si. Um processo mudo, metódico, autofágico. Chamam recomeço. Mas não há renascimento, só a repetição paciente da queda. Cinemática.
Tem que ser grato, eles disseram. Mas não se entende por quê. Nem para quem. Foi eu quem rasgou a pele puxando a carroça até aqui. Sou meu próprio salvador, meu altar, meu sacrifício.
Carrego o mau presságio da autocomiseração passada. Isso não ajuda. Sei. Com sorte, nem eu serei carpideira no meu momento do nada. E enquanto aguardo, resta me arrastar em penitência. De joelhos em oração à carne. E com a cabeça erguida. Mas olhando para quem? O Deus da minha sombra. Da minha sobra.
Quando eu me escondo, quem se favorece da minha ausência?
I was looking back to see if you were looking back at me, to see me looking back at you.

